Já não sei o que escrever por aqui nem sei aonde encontrar inspiração. Respira. Olha por cima e não há nada. Falta pouco pro fim. Tensão de conclusão de curso é assim. Não há tempo para o gozo nem para o trago, só calos nos dedos e nós no juízo. O dia acinzentou aqui dentro e lá fora. Bombas de são joão e café forte. Força na peruca e muita surtação.
domingo, 24 de maio de 2009
domingo, 3 de maio de 2009
Já era
Na pós-modernidade é assim: as memórias do passado se perdem quando formatamos o pc e esquecemos de fazer um back-up.
sábado, 25 de abril de 2009
Domingos (Sábados) de conversa
"(...) o mundo não será feliz enquanto todos os homens não forem artistas. A vocação do homem é criar." Domingos de Oliveira
Dêem uma olhada:
http://domingosinprocess.blogspot.com/2008/10/carta-um-jovem-ator-na-ntegra.html
Tenho dito
Não leio livros de grandes escritores pra impressionar meus amigos. Leio unicamente pra me impressionar diante do desvelamento do óbvio, do deslumbramento com o cotidiano.
"Por esse pão pra comer,
por esse chão pra dormir.
A certidão pra nascer,
e a concessão pra sorrir.
Por me deixar respirar,
por me deixar existir."
por esse chão pra dormir.
A certidão pra nascer,
e a concessão pra sorrir.
Por me deixar respirar,
por me deixar existir."
É essa fome que me faz acordar pro dia tumultuado de encontros e desencontros, filas e guichês vazios, de ônibus lotados de trabalhadores responsáveis pelo rodar do mundo, de sorrisos entristecidos e botocados. É essa fome que me faz acordar antes do galo pra encarar uma turma cheia de alunos, horas dentro de ônibus que vão apressados pelas avenidas pulando quebra-molas invadindo sinais. É essa fome que me faz passar horas estudando diante de um computador que ameaça parar a qualquer instante, que me faz refletir o sentido de tudo isso aqui, que me faz discutir novas possibilidades de mundo. É essa fome que me leva até a cozinha preparar o alimento de cada dia, esquentar os pães, repartir o verbo, requentar o café.
é essa fome que me dói o estômago, que me faz mais homem e mais humano.
domingo, 19 de abril de 2009
menino do elevador,
é por causa dessa intimidade de cheiros e dessa cumplicidade de idéias que temos hoje, que eu ansiava, naquele tempo, te encontrar no elevador sorrindo comentários sobre a arte que mais amamos: o teatro.
Quando a canção do poeta fala do nosso dia-a-dia ou Zii & Zie
Desde quinta a cena retorna como uma onda à minha retina: os olhos dele cheio de lágrimas fixo no homem alto negro magro de colete marrom do conselho tutelar. O tal homem, representante do estado, tava ali para buscá-lo. O seu irmão mais novo tinha sido levado mais cedo e não tinha derramado uma lágrima sequer. A partir daquele momento o estado assumia a guarda daqueles dois menores enquanto eu passava a me sentir um educador frustrado. Foi mal, papai Anoiteceu. Não consegui me despedir dele, fiquei muito triste vendo a cena e envergonhado me tranquei na sala de aula, chorando solitário e derrotado. Voltei pra casa, pedindo aos deuses proteção àqueles meninos, cantando, chorando, me despedindo deles mentalmente. Tchau, mamãe Valeu.
Pariu, cuspiu/Expeliu/Um Deus, um bicho/Um homem
Escutar o novo cd de Caetano, entre uma leitura e outra para a monografia, me fez refletir sobre a minha escolha profissional. A primeira música de título Perdeu, com sua guitarra marcada e canto-protesto, veio em cheio à memória da minha pele e ressoou trilhando a história desses meninos que encontrarei daqui pra frente.
Ser educador da periferia é uma escolha dolorida, por ter que ver pelas entranhas, pelo lado de dentro como as coisas acontecem. Ver uma realidade perversa e sem futuro, sem amanhã.
O sol se pôs / Opôs, nasceu/ E nada aconteceu
Ser
educador na periferia é uma escolha ESPERANÇOSA. Estar ao lado dos oprimidos é acreditar que juntos podemos mudar o rumo dessa história que já vem pré-editada, pré-meditada. É ter fé no homem.
Havemos de amanhecer, preveu o poeta Drummond.
Ser
educador é perceber em meio à madrugada os primeiros raios de sol. E é na luta diária na cidade sotero-cosmo-metropolitana que se constrói o futuro. Com a mão na massa levantando a laje, com o pé no chão de barro, com a caneta em punho tcceando idéias, sentado em roda dialogando com os adolescentes e com os pais dos adolescentes, derrubando os muros das universidades e aproximando-se da realidade-comunidade. Assim, ficaremos grávidos e comporemos nossas próprias canções, nossos próprios textos, faremos nossas próprias leituras de mundo criticizando-o e se percebendo nele e parte dele.
Cresceu, vingou/ Permaneceu, aprendeu/ Nas bordas da favela
Ilhado entre textos, canções, artigos e dissertações passei o fim de semana. Deles, tenho feito barquinhos e aviões de papel e partido pra outros mundos possivéis construídos a partir da margem e vindo das favelas.
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