domingo, 19 de maio de 2013
Natal de um ano qualquer
às 17h na fila
pagando os últimos presentes
às 19h no rádio
a hora do brasil divulga os últimos dados do ano
às 21h na sala
nada de "so this is christmas"
só o samba alucinado alcoolizado
e nada de o galo cantar missar
não se faz mais natais como antigamente
eram 20 e tantos dias antes do velhinho chegar
o agora é já
perú ainda meio crú
cerveja quente
cartão de crédito estourado
dois engov antes
e dois engov depois
Ela finge ser adultera
Ele finge ser hétero
Cúmplices
saem a noite
quando as casas estão acesas
os vizinhos na janela e
os cachorros pela rua
- Vou por aí
Dizem batendo a porta
O maior desejo dela é que desconfiem
Ele, não
morre de medo
e fala grosso
Já é tarde
quando voltam
meio trôpegos
Ela só pensa em chegar
em casa
na cama
no seu homem
Ele ri
penas pra todos os lados
cigarro na boca
e se denuncia
cantando pela casa
bethania, roro e alcione
Ele finge ser hétero
Cúmplices
saem a noite
quando as casas estão acesas
os vizinhos na janela e
os cachorros pela rua
- Vou por aí
Dizem batendo a porta
O maior desejo dela é que desconfiem
Ele, não
morre de medo
e fala grosso
Já é tarde
quando voltam
meio trôpegos
Ela só pensa em chegar
em casa
na cama
no seu homem
Ele ri
penas pra todos os lados
cigarro na boca
e se denuncia
cantando pela casa
bethania, roro e alcione
terça-feira, 4 de setembro de 2012
Não, eu não amo a Tereza
Me interesso mais pelo Joaquim
Sua barba escura, sua inteligência, enfim...
Anteontem sai com Raimundo
sambamos a noite inteira
não paramos um segundo.
Ontem dormi com João e
hoje acordei com Drummond
tomamos café
e fizemos promessas de réveillon.
Muitos entraram e saíram dessa história
mas o que mais gozou
foi o pinto do tal do Jota
que não gostando de xoxota
caiu dentro dos cus
e se refastelou.
Me interesso mais pelo Joaquim
Sua barba escura, sua inteligência, enfim...
Anteontem sai com Raimundo
sambamos a noite inteira
não paramos um segundo.
Ontem dormi com João e
hoje acordei com Drummond
tomamos café
e fizemos promessas de réveillon.
Muitos entraram e saíram dessa história
mas o que mais gozou
foi o pinto do tal do Jota
que não gostando de xoxota
caiu dentro dos cus
e se refastelou.
terça-feira, 18 de outubro de 2011
Na barba por fazer
Sambando no terreiro
Sem me esconder
Trago de volta à memória da pele
Tudo que fui ontem
E me faço mais vivo hoje
Intenso
Pulsante
Insano
Abram as portas
as janelas
se ajeitem pelo chão
na cozinha em frente ao fogão
Em cada cm² deste lugar
no rabisco da parede
na almofada espalhada no chão
na cueca pendurada no box
na fumaça
no perfume
na risada
no choro emocionado
eu estou
no pé
o axé
na cuca (que biruta!)
no des-cabelo a revolução
vermelha
azul
de sardinhas
e muitas cócegas
eu
homem
in
home
terça-feira, 19 de julho de 2011
sexta-feira, 15 de julho de 2011
terça-feira, 14 de junho de 2011
Vim só dar despedida
ao som de despedida (Marcelo Camelo)
Acredito que ao falarmos sobre coisas que têm nos magoado e entristecido, ajuda a nos libertarmos delas e ficarmos bem mais leves.
Há mais de um mês vem e vai a vontade de escrever sobre meu pai, que partiu cansado dessa longa jornada chamada vida. Partiu e ficou a casca ali no sofá cama, que era nosso ponto de encontro e de discussão dos mais variados temas. Nós gostávamos de conversar sobre tudo até sobre coisas das quais discordavamos da opnião um do outro. Ele me ensinou a discordar, questionar; eu tentei ensinar a ele que era importante dialogar.
E ficou isso: o diálogo. E mesmo que demorasse pra acontecer, era um encontro incrível e aprendiamos um sobre o outro. Engana-se quem diz que ele não sabia nada de mim. Sabia demais. Do seu jeito, acolhia as minhas pequenas revoluções já na adolescência, abraçava meus projetos com o teatro, ria comigo e chorava junto, na subida da ladeira, na formatura e nas muitas alegrias.
Quando me olho no espelho, o vejo refletido ali. Se sou como hoje sou, devo a ele. À sua irreverência, à sua forma livre de ver o mundo, às suas lutas contra o cotidiano opressor, às nossas conversas no bar, na praia, na fogueira e sofá.
E sem precisar dizer nada, ele me autorizou a ser como eu queria ser: artista, diverso e livre. De cabelo pra cima e de barba vermelha.
Quando conversarmos sobre meu avô, ele dizia de forma orgulhosa: Sabe o que o seu avô me deixou de herança? Algo muito mais importante e mais valioso que qualquer quantia de dinheiro: o caráter.
E foi isso que ele me deixou: um aprendizado fenomenal de ser quem você é, sem, no entanto, oprimir ninguém.
Quando ele partiu, fui à praia e joguei flores no mar em sua homenagem. Hoje, homenageio com esse texto e com essa canção.
Há mais de um mês vem e vai a vontade de escrever sobre meu pai, que partiu cansado dessa longa jornada chamada vida. Partiu e ficou a casca ali no sofá cama, que era nosso ponto de encontro e de discussão dos mais variados temas. Nós gostávamos de conversar sobre tudo até sobre coisas das quais discordavamos da opnião um do outro. Ele me ensinou a discordar, questionar; eu tentei ensinar a ele que era importante dialogar.
E ficou isso: o diálogo. E mesmo que demorasse pra acontecer, era um encontro incrível e aprendiamos um sobre o outro. Engana-se quem diz que ele não sabia nada de mim. Sabia demais. Do seu jeito, acolhia as minhas pequenas revoluções já na adolescência, abraçava meus projetos com o teatro, ria comigo e chorava junto, na subida da ladeira, na formatura e nas muitas alegrias.
Quando me olho no espelho, o vejo refletido ali. Se sou como hoje sou, devo a ele. À sua irreverência, à sua forma livre de ver o mundo, às suas lutas contra o cotidiano opressor, às nossas conversas no bar, na praia, na fogueira e sofá.
E sem precisar dizer nada, ele me autorizou a ser como eu queria ser: artista, diverso e livre. De cabelo pra cima e de barba vermelha.
Quando conversarmos sobre meu avô, ele dizia de forma orgulhosa: Sabe o que o seu avô me deixou de herança? Algo muito mais importante e mais valioso que qualquer quantia de dinheiro: o caráter.
E foi isso que ele me deixou: um aprendizado fenomenal de ser quem você é, sem, no entanto, oprimir ninguém.
Quando ele partiu, fui à praia e joguei flores no mar em sua homenagem. Hoje, homenageio com esse texto e com essa canção.
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