terça-feira, 18 de outubro de 2011

Na barba por fazer
Sambando no terreiro
Sem me esconder

Trago de volta à memória da pele
Tudo que fui ontem
E me faço mais vivo hoje
Intenso
Pulsante
Insano

Abram as portas
as janelas
se ajeitem pelo chão
na cozinha em frente ao fogão

Em cada cm² deste lugar
no rabisco da parede
na almofada espalhada no chão
na cueca pendurada no box
na fumaça
no perfume
na risada
no choro emocionado
eu estou

no pé
o axé
na cuca (que biruta!)
no des-cabelo a revolução

vermelha
azul
de sardinhas
e muitas cócegas

eu
homem
in
home

terça-feira, 14 de junho de 2011

Vim só dar despedida

ao som de despedida (Marcelo Camelo)

Acredito que ao falarmos sobre coisas que têm nos magoado e entristecido, ajuda a nos libertarmos delas e ficarmos bem mais leves.

Há mais de um mês vem e vai a vontade de escrever sobre meu pai, que partiu cansado dessa longa jornada chamada vida. Partiu e ficou a casca ali no sofá cama, que era nosso ponto de encontro e de discussão dos mais variados temas. Nós gostávamos de conversar sobre tudo até sobre coisas das quais discordavamos da opnião um do outro. Ele me ensinou a discordar, questionar; eu tentei ensinar a ele que era importante dialogar.

E ficou isso: o diálogo. E mesmo que demorasse pra acontecer, era um encontro incrível e aprendiamos um sobre o outro. Engana-se quem diz que ele não sabia nada de mim. Sabia demais. Do seu jeito, acolhia as minhas pequenas revoluções já na adolescência, abraçava meus projetos com o teatro, ria comigo e chorava junto, na subida da ladeira, na formatura e nas muitas alegrias.

Quando me olho no espelho, o vejo refletido ali. Se sou como hoje sou, devo a ele. À sua irreverência, à sua forma livre de ver o mundo, às suas lutas contra o cotidiano opressor, às nossas conversas no bar, na praia, na fogueira e sofá.

E sem precisar dizer nada, ele me autorizou a ser como eu queria ser: artista, diverso e livre. De cabelo pra cima e de barba vermelha.

Quando conversarmos sobre meu avô, ele dizia de forma orgulhosa: Sabe o que o seu avô me deixou de herança? Algo muito mais importante e mais valioso que qualquer quantia de dinheiro: o caráter.

E foi isso que ele me deixou: um aprendizado fenomenal de ser quem você é, sem, no entanto, oprimir ninguém.

Quando ele partiu, fui à praia e joguei flores no mar em sua homenagem. Hoje, homenageio com esse texto e com essa canção.







segunda-feira, 23 de agosto de 2010

intuição

"Ler é libertar a palavra que estava enclausurada no papel

Palavras gostam de voar e ecoar o eco de seu pleno sentido sonoro"

a gaiola do som - wado e realismo fantástico

sábado, 7 de agosto de 2010

quase 30

Não foi a toa não, que nasci mineiro e cresci baiano. Mas do que poético isso fala da minha essência.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

23h56 ou Leo ésse

Chegou abrindo as portas do armário, as janelas. Libertando-me.

A luz invadiu o quarto, o colchão que mais tarde seria o nosso ninho de amor, durante dois verões e três invernos. Os meus cabelos penteados se tornaram revoltos, a bicha recalcada que era tornou-se militante, e hoje enfrenta homofóbicos.

Os poemas tão espalhados pelo chão, as fotos foram deletadas por acaso. Mas ainda estão guardadas as sensações daqueles dois anos e pouco.

O amor quando acontece não vai embora facilmente, nem quando o final do texto se anuncia.

Amor como esse permeia a existência daquele menino, que hoje, homem barba na cara se apaixona pelas bainhas das calças dos moleques libertário arianos.

Libertação pode ser um bom sinonimo para a relação daqueles dois, que começou numa noite de junho e que terminou há dois ano num show de uma cantora popular. Enquanto eles se beijavam, tocando os lábios pela ultima vez, as bichas ovacionavam a diva e tentavam invadir o palco.

Tá na memória da pele, tá registrado nas revista literárias. Amor como aquele talvez nunca mais aconteça na vida de nenhum dos dois.