quinta-feira, 20 de maio de 2010

ao som de como 2 e 2

a sala tinha um quadro de van gogh pregado na altura dos nossos olhos quando estávamos sentados. as cadeiras eram de vime e confortáveis. ela sentou na minha frente e quis me ouvir. sim, ela era uma terapeuta e eu estava num consultório de psicoterapia; tinha cerca de dez anos que não voltava a um lugar como aquele. e me senti confortável e fui abrindo as caixas que guardava só pra mim, em meus bolsos, em meu intímo: caixas de diversos tamanhos, grandes, pequenas, coloridas, pretas.

é apenas o começo.


"Tudo é igual quando eu canto e sou mudo/ Mas eu não minto não minto/ Estou longe e perto

Sinto alegrias tristezas

e brinco."

segunda-feira, 10 de maio de 2010

deixe que a música invada sua casa e que o som deixe te levar pra outras paisagens, outras paragens. deixe que a lembrança invada sua cabeça permeie seu corpo e arrepie seus pelos.
aí foi assim: coloquei um disco do radiohead pra tocar no computador e passei horas lendo o livro da paula dip sobre o caio f. aí sentir uma falta da porra, como só os baianos saberiam dizer e sentir, falta de algo que nunca vivi.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Prece n.0

A prece(ado) come c(r)ú.

Prece n.365

Os sonhos durante o vôo vieram como alucinações. Se eu fosse astronauta talvez não durmisse uma só noite. Mas como saber se é dia ou se é noite sem ter os pés no chão?

Prece n.4 ou esse chopp que me transtorna transborda

Memória. Escrevo-me em silêncio no saguão do aeroportocéu desta que podia ser a citycitá maravilhosa mas não é. Seca, fria a noite. O cinza contrastando com os jardins laranjamarelos de sua esplanada. Silêncio. A caneta corre o papel. Quedê o romance, a orgia? Nada apenas o desejo e o chopp quente. Vai. Corre. Não perde o avião. Ele não tá aqui! Ele nem lembra mais o seu nome. Ipodfone memória molhando o papel. Arrepio. Nostalgia. Poetas nasceram para serem, para estarem sempre solitários em saguões cinzas de aeroportos. Dez milhões de vezes viveria isso novamente. Antes ficar fodido do que não ter vivido as noites, os encontros. Cruz encruzilhada fundante. Parto daqui para o meu nordeste sem o beijo que ele nuncamedeste. Pára. Pire. Foda. Finda.

Prece n.3

Foi com o ouvido na Baía que caminhei até a praça do relógio da satélite city. Lua. Cadê a luz própria? A city está ofuscada pelos holofotes dos meio século de pólis politicum politicagem. Polis brasileira nata erguida num descampado concreto sem cor. Onde ele foi parar na noite de sexta? Fiz cada um dos seus roteiros e nada. Provavelmente sentado fazendo fumaça numa agência de notícias do conic cone quadrado quadra super 712/912 sul frio que invade a casa enrolando o corpo no lençol. corpo frio gaivotas cigarros e nada dele em mim. Já fui, queria ter dito ontem. Disse ao léo não ao Téo. Me despedi silenciosamente da cidade estado brasiliana. Novas Brasílias em Salvador Velhas Brasílias dentro de mim pulsarão para sempre. Foto sensação memória. Voa volta casa casulo mochila concha. VOA VOE EVOA EVOÉ!