sábado, 4 de abril de 2009

Licença poética para falar: estou com saudade.



O sol deu uma trégua à Cidade da Baía ia ia. O céu amanheceu cinza escuro quase desabando em nossas cabeças. Pé na rua e uma pá de lembranças tomaram minha cabeça. Dias cinzas, são dias essencialmente introspectivos. Dentro de mim irradiou-se alegria. Trazendo consigo a lembrança daquela que foi o primeiro amor adolescente do poeta récem descoberto Margô: flor que desabrochou no canteiro do edifício velho do subúrbio da cidade. Veio intensa como tudo que é bom e não se esvaiu com o tempo. Amadureceu com o girar da ampulheta e do fogo nasceu o amor. Amor de raízes fortes pé de cajá sertão recôncavo familiar. 
Sem o calor, a cidade acordou sem pressa. A chuva fininha na janela e no corpo rememorando os dias de santa inês, sopa de letra e poesia, dos pés que encontravam-se embaraçados nas calçadas cabulescas, do frio do charco licor saboroso carne na panela, do forró arrochado na praça irajuba. Veio tudo, inundando a alma e emociando o poeta. 

De repente do cinza fez-se o colorido 
e da paixão adolescente,
o amor maduro.

De repente do peso da cidade
fez-se a poesia do cotidiano
e das palavras truncadas,
o instante mais insano.

De repente da vida que era monótona
fez-se um samba enredo
e da flor que desabrocha,
perfumou-se o mundo inteiro.

"De repente do riso fez-se o pranto"
e da saudade que era muita, 
o mais bonito canto.

Um comentário:

Alexsandro Oliveira Santos disse...

a saudade mora aqui, beibe.